8 histórias de um ex-funcionário corporativo da WCW

 


Richard Steinberg é um executivo aposentado da área do marketing e publicidade com relação com diversas ligas profissionais, como MLB, NFL, NHL, NBA e etc., mas o que nos importa nesse momento é sua passagem como Diretor de Pesquisa Corporativa da Turner Broadcasting System, Inc e Diretor de Serviços de Marketing da World Championship Wrestling (WCW).


Durante seus anos na WCW, Steinberg viu (e viveu) muita coisa e recentemente contribuiu com um artigo para o Pro Wrestling Stories onde contou 8 histórias de seu tempo como funcionário corporativo de uma das mais importantes empresas da história do Pro-Wrestling e oferece o seu ponto de vista sobre algumas histórias já conhecidas…E outras nem tanto, que você confere logo a seguir:


1. Uma noite difícil para Sid Vicious

“Eu era o oficial da WCW diretamente envolvido com o incidente de Sid Vicious e Arn Anderson em Blackburn, Inglaterra (o incidente em questão, que inclusive merece um texto a parte aqui, foi uma briga entre os wrestlers onde Arn Anderson sofreu vinte facadas no peito e no estômago, enquanto Sid Vicious foi esfaqueado quatro vezes e posteriormente foi demitido da WCW sob ameaça dos outros wrestlers se demitirem em massa caso Bischoff não o demitisse).


Na época, eu era o Diretor de Serviços de Marketing da WCW e estava acompanha a turnê desde seu início. Recebi um telefonema em meu quarto por volta das 2:30 da manhã, informando que havia um grande incidente e que eu era necessário no saguão o mais rápido possível. Eu disse para que eles ligassem para o Diretor da turnê ou o Chefe de Segurança (Doug Dellinger), mas me disseram que não o encontraram


Eric Bischoff On the Arn Anderson-Sid Vicious Stabbing Incident, How WCW Handled It, Ric Flair Helping Save Arn's Job | 411MANIA


Eu me vesti e peguei o elevador até o primeiro andar. O sangue estava por toda parte… Nas paredes do hotel que levavam ao corredor até o saguão. Passei pelos quartos de Sid e Arn, que ficavam do outro lado do corredor. Ambas as portas estavam abertas. Tinha muito sangue e móveis quebrados por toda parte. Eu cheguei ao saguão, e todas as janelas de vidro da frente do saguão estavam quebradas com cacos em todo o lugar. Neste ponto, eu não sabia de nada, exceto o que vi! Mais tarde, soube que Sid e Arn haviam discutido, os ânimos se exaltaram e uma tesoura apareceu no meio da discussão.


Sid estava deitado no chão e sangrando por vários ferimentos quando cheguei. Eu imediatamente cobri duas das feridas de Sid com minhas mãos para tentar estancar o sangramento. Pedi uma ambulância e disseram que estava a caminho! A essa altura, eu não sabia nada sobre Arn. Entrei na ambulância com Sid e ele chorou durante todo o caminho até o hospital, porque não queria morrer! Ele também estava me dizendo que ele ferrou sua grande chance de ser WCW World Champion, mas reclamava principalmente que não queria morrer! Era um cara enorme chorando como um bebê.


Entrei na sala de emergência com Sid enquanto o médico o tratava. Ele ainda estava chorando e gemendo: ‘Eu não quero morrer!’ O médico deu uma olhada em suas feridas e me disse para sair enquanto ele o tratava. Saí da sala de tratamento, onde encontrei 2 Cold Scorpio. Ele me contou a história completa do que aconteceu e que ficou com Arn durante a viagem de ambulância para o pronto-socorro.


Tomei a decisão de entrar em contato com a WCW em Atlanta imediatamente. Peguei um telefone público, mas, claro, era meio da noite em Atlanta e ninguém atendeu o telefone. Deixei uma mensagem para Bischoff e voltei para falar com Scorpio. Ele e eu ficamos de olhos nos dois brigões. Finalmente Scorpio foi embora e eu fiquei no hospital por mais algumas horas. Voltei para o hotel lá estavam Doug Dellinger junto da polícia de lá. Então, tirei algumas horas de sono.


Pela manhã, recebi um telefonema de Atlanta me dizendo para permanecer em Blackburn com Sid e Arn enquanto a turnê continuava para as próximas cidades. Portanto, permaneci na turnê para lidar com possíveis acusações policiais e extensos danos aonde estávamos hospedados. Pedi ao hotel que calculasse o valor total dos danos e enviei as informações por fax para Atlanta. A seguir, a WCW aumentou o limite do eu cartão corporativo e paguei a conta no hotel.


(Devo observar que, após meu retorno a Atlanta, descobri que um funcionário do hotel havia roubado meu número de cartão de crédito e feito cobranças adicionais não autorizadas em minha conta. Muito divertido!)


Um ou dois dias depois, quando os caras estavam calmos ​​o suficiente para viajar, a WCW me disse para levá-los em dias diferentes a aeroportos diferentes para traze-los de volta aos Estados Unidos. Por fim, coloquei Sid em um táxi e o encaminhei para o aeroporto. No dia seguinte, fiz o mesmo com Arn, mas o mandei para um aeroporto diferente.


No terceiro dia, peguei dois trens e acompanhei a turnê em Birmingham, na Inglaterra. Entrei no saguão do hotel e imediatamente me sentei para tomar café com Rick Rude . Em mais um belo dia no trabalho.”


2. A paranoia de Eric Bischoff

“Bischoff em certo momento estava completamente paranoico a respeito de vazamentos. De alguma forma, informações sobre potenciais novos angles, novos talentos e até mesmo possiveís lutas e resultados de pay-per-views estavam chegando a Dave Meltzer do Wrestling Observer e ao vestiário da concorrente, a WWF. Então Bischoff estava à caça de infiltrados!


Tínhamos reuniões semanais (às vezes diárias) na empresa, nas quais éramos ameaçados de demissão se ele pegasse alguém vazando informações! O engraçado era que o aparelho de fax de lá estava na sala de correspondência e informações confidenciais apareciam e ficavam lá por horas até que Janie Engle (assistente de Bischoff) ou ele (ou outros) as recuperassem.


Five Reasons Why Eric Bischoff Changed The Wrestling Industry


Francamente, qualquer pessoa podia ver ou ler sem nenhum problema o que estava escrito ali. Eu nunca vazei nenhuma informação, mas vi literalmente toneladas de testes de drogas positivos, novos talentos assinando contratos antes que qualquer outra pessoa soubesse que eles estavam se juntando à WCW, possíveis angles para a próxima gravação e todos os tipos de informações ditas confidenciais simplesmente espalhadas para qualquer um ler, então não foi nenhuma surpresa que alguma informação vazou.”


3. Como melhorei a WCW

“Meu trabalho original era como Diretor de Pesquisa Corporativa na Turner Broadcasting System, Inc. Eu era responsável por conduzir o consumidor e novos negócios e todas as outras pesquisas de mercado para cada uma das redes de televisão Turner. Em um fatídico dia, Bill Shaw, que era o braço direito de Ted Turner e executivo sênior da TBS, me convidou para entrar em seu escritório.


Ele me disse que Turner estava preocupado com o fato de que as classificações da WCW não eram tão boas e que a empresa estava perdendo terreno e consequentemente dinheiro, para a então WWF. Ele me pediu para descobrir o que estava acontecendo, por que a WWF era mais popular, como melhorar o produto da WCW no ar e na arena e como melhorar os fluxos de receita de caixa da WCW também.


Sentei e desenvolvi uma investigação em grande escala e um programa de pesquisa de marketing para a Turner Corporate para descobrir maneiras de melhorar o produto WCW. Enviei minha proposta a Bill Shaw e não tive nenhuma resposta durante semanas. Então, um dia, recebi um telefonema de Shaw me dizendo para subir até sua sala. Ele me disse que meu plano foi aprovado e que deveria seguir em frente com muita pressa.


Minha análise abrangente incluiu ir secretamente a eventos da WWF (como os shows gravados no Manhattan Center em Nova York) e outros locais de eventos ao vivo, entrevistar secretamente os participantes da WWF em vários eventos locais, conduzir grupos de foco do consumidor com telespectadores da WCW e da WWF, analisar talentos de ambas as empresas e conduzir entrevistas com a gestão anterior e atual da WCW.


Também investiguei os fluxos de receita como as 800 linhas telefônicas, as revistas, o merchandising e todas as outras linhas de receita de caixa do negócio. Também entrevistei Bill Apter, Dave Meltzer e outros jornalistas de revistas especializadas e publicações comerciais.


Desnecessário dizer que meu trabalho NÃO foi bem recebido pela administração da WCW, pois eles sentiram que eu estava me intrometendo em seu negócio, embora aquilo tenha sido encomendado pela corporação. Dusty Rhodes (e outros) tentou sabotar tudo o que eu fiz. Dusty foi ordenado a cooperar comigo pela gerência e isso não funcionou muito bem. Ele era o principal booker na época.


No final, escrevi um enorme documento sobre os prós e os contras de cada organização de Pro-Wrestling, o que funcionou e o que não funcionou, uma dissertação sobre os talentos, um organograma interno e fluxos de linhas de negócios e muito mais. O documento final parecia uma verdadeira bíblia. Foi uma análise completa de todo o negócio do wrestling através das perspectivas da WCW e da WWF.


Bill Shaw logo mais tarde foi colocado no comando da WCW e me transferiu do meu trabalho corporativo da Turner para a WCW. Com base no meu documento, ele fez muitas alterações, algumas das quais foram aceitas e outras foram combatidas pela administração da WCW. Fui encarregado do merchandising para melhorar os fluxos de receita praticamente inexistentes, a WCW Magazine, as 800 linhas telefônicas e todas as outras receitas não relacionadas ao wrestling.


No meu primeiro ano, aumentei a receita em dinheiro de miseráveis ​​$ 1 milhão para mais de $ 4 milhões, e a receita cresceu a cada ano durante minha gestão. Estive na Turner Corporate por cinco anos e na WCW por mais de três anos.


Eu finalmente cansei de Bischoff, com sua intimidação e opressão e deixei a empresa para me tornar Diretor de Pesquisa da Blockbuster Entertainment em Fort. Lauderdale, Flórida. Durante meu tempo, eu também fui responsável, em parte, pelo desenvolvimento de personagem (face vs heel), roupas de ring, signature moves e tudo o que fosse necessário para ajudar a criar e melhorar os talentos da empresa.”


4. Quando recusei uma oferta da WWE feita Linda e Vince McMahon

“Depois da minha vida na WCW, me ofereceram o emprego de VP de Marketing na WWF (agora WWE). Eles me levaram de avião até a casa de Vince McMahon em Connecticut para conversar sobre o trabalho.


Os McMahons viviam em um condomínio fechado e não tinha fechaduras nas portas de sua casa! Fiquei pensando que meu salário potencial do WWF nem chegaria a cobrir o custo da eletricidade do banheiro de hóspedes! Era esse tipo de mansão.


Linda fez um sanduíche de peru para mim na cozinha enquanto tentavam me contratar. Que lembrança engraçada! No final, recusei a oferta. Foi uma época em que Vince estava passando por problemas financeiros e ele recentemente havia dispensado Bret Hart (embora Bret tivesse um contrato vitalício). A WWF era muito instável financeiramente para que eu mudasse minha família para Connecticut e ao mesmo tempo aguentasse Vince.”


5. Ric Flair e seu acesso de raiva

“Eu odiava Ric Flair. Ele era o lutador que eu mais odiava, Ele era um verdadeiro miserável. Em contrapartida, meus lutadores favoritos eram Sting e Lord Steven Regal. Ambos eram caras realmente legais. Regal era sempre gentil e eu adorava ouvir sobre sua juventude lutando no píer de Blackpool, na Inglaterra. Sting geralmente jogava cartas no ônibus da turnê e ficava sozinho pelo resto do tempo. Ele ficava em seu quarto de hotel e sempre evitava a loucura que acontecia ao seu redor!


Parte de minha função como Diretor de Serviços de Marketing era criar continuamente linhas inovadoras de mercadoria para venda em arenas, online e por meio de vendas por catálogo. Em um fatídico dia, tomei a decisão de criar uma linha de produtos de colecionáveis autografados, semelhante aos itens vendidos nas lojas da MLB, NFL, NHL e NBA. Consegui que vários dos caras se comprometessem a autografar fotos e outras coisas relacionadas a Pro-Wrestling.


Naturalmente, eles receberiam uma remuneração baseada em uma porcentagem dos itens vendidos. Cada item seria numerado e produzido em uma série limitada para criar um alto valor percebido por parte dos compradores de colecionáveis. Consegui tirar uma foto muito legal de Ric Flair ganhando o WCW World Championship. De qualquer forma, Flair “me prometeu” que assinaria 500 fotos numeradas e sequenciadas que eu poderia vender por US$10-25 cada.



A foto autografada por Flair

Estávamos indo em turnê pelo Reino Unido, e havia muito tempo livre entre as viagens pelas várias cidades do Reino Unido, o que significava que Flair teria tempo para deixar sua assinatura nas fotos. Então, no primeiro dia, em uma viagem de ônibus de mais de 6 horas, Flair autografou 25 fotos incríveis e passou o resto da viagem bebendo como um animal.


No segundo dia, Flair autografou dez fotos e desistiu novamente, sendo superado pela disponibilidade de grandes quantidades de álcool no ônibus. Era o terceiro dia e Flair assinou o total de ZERO fotos, e nada mais foi assinado durante todo o resto da turnê! Ele se recusou terminantemente a assinar outra foto.


Quando voltamos para os Estados Unidos, no primeiro dia no escritório, entrei na área de contabilidade e disse a eles para não pagarem a Flair, pois estava preso com pelo menos 465 fotos numeradas, mas não assinadas, apenas com a promessa de Flair de assina-las.


Assim que saio da área de contabilidade, Flair entra e exige que o paguem pelos 500 autógrafos. Em uma reviravolta incomum de eventos, fico surpreso ao saber que em vez de pagarem Flair, os contadores realmente cobraram ele pelas 465 fotografias numeradas, que sem sua assinatura não valiam absolutamente nada.


No dia seguinte, Flair apareceu em meu escritório gritando comigo como um louco. Ele estava com um ódio genuíno e seu rosto estava tão vermelho que pensei que ele ia ter um aneurisma! Ele tagarelou, delirou e gritou comigo por sólidos 40 minutos. Quando ele terminou, me virei para ele e simplesmente disse: “Você se sente melhor agora?”


Isso desencadeou um outro discurso inflamado de 25-30 minutos! Ele acabou saindo do meu escritório e foi continuar sua birra no escritório de Bischoff. Poucos dias depois, soube que Bischoff fez a equipe de contabilidade devolver o dinheiro retido pelas fotos não assinadas. Foi um acesso de raiva de Ric Flair que apenas ele poderia ter.”


6. Uma noite com a orelha de Cactus Jack

“Fiz de oito a nove turnês pela Alemanha com a WCW. Uma noite em Wurzburg (eu acho), Cactus Jack estava lutando contra Vader. De repente, Cactus ficou com a cabeça presa nas cordas e a próxima coisa que vejo é sua orelha voando e caindo no meio do ringue!


O árbitro pegou a orelha e entregou ao nosso ring announcer, Gary Michael Capetta. Gary então entregou a orelha aos médicos, onde foi colocada num cooler com gelo. Adivinha quem ficou com a caixa e consequentemente com a orelha? Eu mesmo.


A luta foi interrompida ou foi rapidamente para o final. Não me lembro direito. A próxima coisa que eu soube foi que Cactus estava em uma ambulância e eu estava viajando na parte de trás com ele e sua orelha presa em um cooler de gelo! Demorou um pouco para chegarmos ao Krankenhaus (hospital) em Frankfurt. Quando finalmente chegamos, fomos escoltados para a sala de emergência.


Passei a orelha gelada para o médico do pronto-socorro, que passou vários minutos avaliando a cabeça de Cactus Jack e a orelha decepada ao mesmo tempo. Depois de um tempo, foi feita uma avaliação para tentar reconectar a orelha. Nesse ponto, fui expulso da sala, então corri para encontrar o telefone mais próximo para ligar de volta para Atlanta! Soa familiar? Assim como a ótima noite com Sid e Anderson. Este sou eu sempre com sorte.


Mick Foley Shows Off Ear That Vader Famously Ripped Off, Still Not Repaired!


Por volta das 2 da manhã, deixei Cactus no hospital e voltei para o Holiday Inn em Frankfurt, onde estávamos hospedados. Entrei no hotel e estava acontecendo uma grande festa com os lutadores e muitos fãs locais. A festa foi uma loucura. Decidi me juntar à festa por um tempo para esquecer o ótimo encontro com a orelha de Cactus.


Por volta das 2h45, um dos moradores decidiu levar Hulk Hogan para a rua em frente ao saguão da frente para mostrar a ele a sua nova motocicleta. Por algum motivo desconhecido para mim, Hogan conduziu a motocicleta até o saguão do hotel, subiu nela e começou a contornar completamente o saguão da esquerda para a direita, da frente para trás, e ao redor do saguão interno do hotel.


Ainda tenho memórias vivas do gerente noturno do hotel perseguindo Hogan, tentando tirá-lo da moto e parar todo o barulho e confusão! Eu finalmente caí na cama por volta das 3:15 da madrugada e não me lembro de muito depois disso.


7. Big Van Vader e seu amado brinquedo adulto

Minha primeira turnê internacional no Reino Unido com a WCW foi fazer uma série de shows pela Inglaterra. Essencialmente, a WCW recebia uma taxa para organizar cada evento da turnê, e o promotor do Reino Unido era responsável por todos os shows, arenas, etc., e ele coletava a receita de ingressos. A receita de merchandising foi separada e coletada exclusivamente pela WCW (eu).


Durante esse tempo, Vader estava conosco em turnê. Não me pergunte o por que, mas ele continuava a se intitular como “The Bull Of the Woods!”. Era coisa dele. Eu tinha cerca de uma hora antes de entrar no ônibus da turnê e estava vagando por Londres. Eis que me deparei com uma sex shop que tinha uma ovelha inflável à venda na vitrine. Na minha cabeça, era a coisa mais próxima de um touro que eu encontraria!


Então é claro, eu comprei aquela coisa estúpida, a enchi e a levei no ônibus antes de partimos. Naturalmente, coloquei aquilo no assento de Leon (Vader). E só para o registro, era uma ovelha anatomicamente correta! Por algum motivo, Vader gostou muito da coisa e a carregou consigo durante a maior parte da turnê, dia e noite! A última vez que a vi, ele estava levando ela para o quarto antes de dormir. Nunca mais a vi e nem perguntei sobre sua localização ou o que diabos ele tinha feito.


Big Van Vader e sua boneca inflável de ovelha foram um verdadeiro caso de amor!


8. A noite no Distrito da Luz Vermelha de Hamburgo

Estivemos em Hamburgo, Alemanha, em várias turnês diferentes. A cidade é notável pelo seu Distrito da Luz Vermelha. Em nossa primeira visita, chegamos de ônibus por volta de 1h da manhã, depois de uma longa e cansativa viagem de ônibus após um show em outra cidade. Quando chegamos ao lobby do hotel, todos os caras decidiram que precisavam ir para o distrito da luz vermelha imediatamente! Eles largaram as bagagens no hotel, entraram em vários táxis e partiram.


Fui deixado para trás com o fotógrafo da turnê, Colin Bowman. Ele e eu decidimos seguir aquele rastro de caos, então nós também entramos em um táxi e descemos a área de Reeperbahn. Em um dos meus momentos menos brilhantes, vimos Knobbs e Sags dos Nasty Boys caminhando pela rua, então decidimos nos juntar a eles. Grande erro. Eles estavam aquele jeito turbulento, barulhento e louco de sempre, e de repente eles se deparam com uma prostituta. Eles começaram a irritá-la, incomodá-la e persegui-la a ponto de ela ter que fazer sinal para um carro da polícia que passava.


Os Nasties eram uns animais e naquele momento, um deles começou a urinar na rua bem na frente dos policiais! Minha carreira inteira passou instantaneamente diante dos meus olhos. Eu poderia imaginar as manchetes dos jornais matinais: “Turner Broadcasting Executive é preso com pro-wrestlers em Reeperbahn!”


Por favor, não me pergunte como, mas os Nasties conseguiram evitar que todos nós fossemos para a cadeia! Decidi me separar deles. Era emoção demais para mim. Enquanto eu estava pronto para voltar para o hotel para um sono necessário, cruzei com Brian Pillman (então Flyin ‘Brian na WCW) andando na rua. Pillman me disse que precisa de mim e que eu tinha que ir com ele imediatamente.


Pillman me arrastou com ele para Herbertstrasse, a rua fechada onde todas as prostitutas de Hamburgo estavam localizadas. Pillman me levou a uma das vitrines onde uma garota estava se exibindo. Ele me disse que preciso cobri-lo e se ele não saísse em 20 minutos, deveria começar a bater na porta! Ele me deu o relógio e a carteira porque não queria ser roubado e saiu às pressas para um entretenimento de curta duração.


Felizmente, ele reapareceu cerca de 15 minutos depois e nós dividimos uma corrida de táxi de volta para o hotel, onde eu tive que ouvir sobre sua façanha nos mínimos detalhes! Voltamos para o hotel por volta das 5h30! Foi uma noite incrível!


Eu deveria estar na arena por volta das 13h00 do dia seguinte para resolver nossos problemas com o merchandising, e também ter uma reunião com o gerente da arena. Eu disse ao recepcionista para ligar para o meu quarto com um despertador a partir das 11h e ligar novamente A cada15 minutos até o meio-dia. Se eu não tivesse atendido meu telefone ao meio-dia, disse a eles para baterem na porta do meu quarto até que eu a abrisse. Então entrei no meu quarto e imediatamente caí na cama.


A próxima coisa que eu lembro é que fui acordado por uma batida forte na porta do meu quarto. Aparentemente, eu dormi inteiramente durante todas as quatro chamadas. Eu literalmente passei os próximos 30 minutos no chuveiro em uma tentativa de me tornar funcional novamente. Não sei como, mas cheguei à minha reunião às 13h no horário!


Sempre foi muito divertido estar em turnê com a WCW.

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